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WTC Biotic
WTC Biotic
Equipment mixed-used | Equipamento uso misto
architecture
ARCHITECTS OFFICE
World Trade Center
client
Terreno: 70.000m² | Construída: 180.000m²
area
location
Brasília | Distrito Federal | Brasil
credits
AO
year
2023 - 2025
World Trade Center Biotic: uma nova dinâmica urbana
A materialização de uma arquitetura adaptável, integrada e sensível ao seu tempo
O projeto WTC Biotic, desenvolvido pela ARCHITECTS OFFICE para o novo bairro Parque Tecnológico de Brasília, representa uma nova abordagem para o desenho urbano contemporâneo. Inserido em um masterplan idealizado pelo escritório Carlo Ratti Associati em 2020, o World Trade Center Biotic é um complexo multiuso que reúne escritórios, residências, hotel, comércio e espaços de convivência em uma malha integrada, promovendo maior eficiência no uso do solo e incentivando a convivência entre diferentes funções urbanas.
Mais do que um conjunto de edifícios, o WTC Biotic é uma experiência urbana – um manifesto a favor de cidades que operam em outros ritmos e linguagens e que funcionam como plataformas abertas, adaptáveis, diversas e integradas. Essa lógica se materializa na sobreposição de usos, na continuidade dos espaços públicos e na possibilidade de que programas distintos compartilhem a mesma infraestrutura, permitindo que o conjunto funcione ao longo de diferentes horários, dinâmicas e intensidades de uso.
O processo de projeto foi pautado na escuta e na tradução sensível de anseios e transformações que a AO propõe para o presente – e para um futuro mais conectado, resiliente e diverso. A proposta parte do entendimento de que construir não é apenas erguer estruturas, mas transformar realidades, ativar conexões e promover novas formas de pertencimento.
Arquitetura e urbanismo em transformação
O conceito de “reprogramar” está no centro dessa visão. Reprogramar é romper com o zoneamento estanque entre viver, trabalhar e circular – e entre arquitetura e urbanismo. O Biotic propõe um novo ecossistema urbano, onde diferentes usos se entrelaçam em uma mesma malha viva. Nada está isolado. Tudo se relaciona.
Reprogramar também é repensar o tempo e o uso. É permitir que um edifício possa mudar de função ao longo dos anos, sem perder sua integridade. Por isso, o projeto adota uma estrutura modular, com grade de 8x8 metros, que possibilita flexibilidade, economia de recursos e inteligência na manutenção. A padronização racionaliza o processo construtivo e facilita futuras adaptações, permitindo que os edifícios acompanhem transformações nas necessidades de seus usuários ao longo do tempo.
A implantação respeita a topografia e o entorno, preservando áreas naturais e favorecendo a integração entre construções e paisagem. A configuração horizontal dos volumes amplia a permeabilidade entre os espaços, enquanto os edifícios são conectados por um plano contínuo e orgânico que atua como piso, parede e cobertura. Essa superfície arquitetônica única, desenhada pela AO, organiza fluxos, cria sombreamento e estabelece continuidade espacial entre os diferentes volumes, estruturando a experiência do pedestre ao longo de todo o conjunto.
Sustentabilidade real e pragmática
O projeto parte de uma condição singular: um edifício de grande extensão horizontal — cerca de 250 por 250 metros — e altura extremamente contida. Essa proporção radical inverte hierarquias tradicionais da arquitetura vertical e faz com que a leitura do projeto seja guiada não pela elevação, mas pelas cotas, curvas de nível e pelas relações estabelecidas com o solo e o céu.
Do ponto de vista ambiental, o projeto incorpora estratégias passivas fundamentadas em princípios arquitetônicos essenciais, como orientação solar, sombreamento e ventilação natural, combinadas a soluções ativas de sustentabilidade. As lajes com profundidade reduzida otimizam a iluminação natural, enquanto terraços perimetrais e brises-soleils contribuem para o controle térmico. As coberturas vegetadas auxiliam no isolamento térmico e abrigam sistemas de captação de água e geração de energia solar. Cada decisão busca eficiência energética, conforto e durabilidade.
A arquitetura se organiza como uma grande superfície contínua, uma manta arquitetônica que conecta todos os edifícios e se adapta à topografia, variando sua materialidade e desempenho conforme a altura. Nas cotas mais altas, próximas ao céu, concentram-se os sistemas tecnológicos e de fechamento, com forte presença de painéis fotovoltaicos, explorando ao máximo o potencial de geração de energia proporcionado pela ocupação horizontal. Nas cotas mais baixas, onde a arquitetura toca o chão, essa superfície se dissolve na praça, incorporando terraços, gramados, floreiras e vegetação, promovendo continuidade entre edifício e espaço público.
A proposta reforça a coexistência entre arquitetura e natureza por meio da preservação de áreas verdes e da criação de percursos sombreados, que ampliam o conforto ambiental e constroem um ambiente urbano mais saudável e resiliente.
Entre os extremos da terra e do céu, surge uma camada intermediária de transição, marcada por pergolados e terraços escalonados que filtram a luz, criam sombra e mantêm abertura para o tempo e o clima. O projeto evita cortes abruptos e trabalha com transições graduais, quase em degradê. Para isso, a AO recorre a técnicas oriundas de outros campos do conhecimento, como o dithering da computação gráfica, utilizando a fragmentação e recomposição como estratégia para fundir sistemas distintos e tornar legível, no próprio desenho do edifício, a curvatura da manta e a gradação entre terra, sombra e tecnologia.
Ao concentrar diferentes programas em um só lugar e se articular ao Parque Tecnológico de Brasília, o Biotic fortalece a vocação do Distrito Federal como polo de inovação. O projeto impulsiona a economia local e conecta a cidade a redes globais de tecnologia e negócios, oferecendo uma infraestrutura urbana compatível com os desafios contemporâneos.
No WTC Biotic, a arquitetura se constrói como um sistema contínuo e adaptativo, no qual cada camada responde a uma condição específica de altura, uso e clima. Mais do que um objeto isolado, o projeto propõe uma arquitetura de transições, capaz de integrar desempenho ambiental, espaço público e infraestrutura em um único gesto.
Equipe
Greg Bousquet, Sávio Jobim, Rafael Igayara, Larissa Oliveira, Marcelo Checchia, Thiago Buccieri, Maria Gabriella Stabile, Caio Coelho, Rafael Mourão, Luiza Bouças
DNA PARIS DESIGN AWARDS 2025 | Architecture/Big Scale Building, Winner
WORLD ARCHITECTURE FESTIVAL (WAF) 2025 | Future Projects/Commercial Mixed-Use, Finalist




















































