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Villa Stradalle e Casa VM

Informations

Villa Stradalle e Casa VM

Arquitetura | Interior Design

architecture

ARCHITECTS OFFICE

client

area

location

Piracaia | São Paulo | Brasil

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year

Habitar como experiência entre paisagem, tempo e luz

O projeto da Villa Stradale, em Piracaia, no interior de São Paulo, parte da investigação sobre o habitar como experiência ampliada de território — um entendimento em que morar ultrapassa os limites da casa e do lote para se construir na relação contínua entre arquitetura, paisagem, percursos, luz, clima e tempo. Implantado à beira de uma grande represa e envolto por mata nativa, o conjunto nasce da leitura de um lugar onde natureza, permanência e experiência cotidiana se sobrepõem. Mais do que responder a um contexto dado, o projeto constrói um ecossistema residencial que articula bem-estar, contemplação e convivência, fazendo do território parte ativa do ato de habitar.


O conceito arquitetônico tem como fundamento o contato direto e o equilíbrio com a natureza. As áreas sociais são interpretadas como extensões das 52 residências, e soluções construtivas como vãos livres, pilares e panos de vidro entregam uma interface gentil entre o interior e o exterior, permitindo coexistência fluida com o entorno. O empreendimento se desenvolve ao longo de um único eixo, com construções que respeitam a topografia irregular do terreno por meio de cortes que valorizam o perímetro e promovem a preservação da vegetação local – gesto que revela o pensamento contextual que orienta o projeto. 


O paisagismo atua como fio condutor, costurando espaços livres, percursos e áreas comuns, criando camadas de vegetação que filtram vistas, luz e deslocamentos. Nesse campo, transparências, opacidades e luz natural se entrelaçam para produzir atmosferas silenciosas de pausa e permanência.


Nesse território sensível se insere a Casa VM, projetada a partir de um instrumental racional, cartesiano e tensionado. O gesto central está na sobreposição de grids, utilizados como ferramenta para gerar espacialidade, percepção e movimento.


Os grids que estruturam a Casa VM se orientam por referências primárias — o norte geográfico e o norte magnético. Dois deles seguem o norte verdadeiro, enquanto um terceiro se posiciona de forma oblíqua, incorporando uma variação que introduz movimento e tempo ao desenho. A partir dessa sobreposição, a casa se organiza como um sistema sensível às condições do lugar e ao momento em que foi concebida.


Esse campo de grids não se limita à residência: ele passa a ordenar todo o lote. A Casa VM surge como um recorte preciso dentro de um campo mais amplo, no qual a maior parte do território permanece livre e vegetalizado. Cada ponto do sistema se transforma em elemento arquitetônico e paisagístico revelando como uma lógica abstrata pode se materializar em diferentes escalas e usos.


Entre o céu, a arquitetura e a paisagem, a cobertura da Casa VM se torna o principal dispositivo sensorial do projeto. Concebida para criar a atmosfera de floresta — o komorebi — ela filtra a luz ao longo do dia, fragmentando a incidência solar e produzindo sombras mutáveis, ritmos e pausas. A luz não entra de forma direta; ela se dissolve, se movimenta e constrói uma experiência de serenidade e permanência. Mais do que proteção, a cobertura estabelece uma conexão contínua entre corpo, espaço e natureza, fazendo da casa um lugar de atenção ao tempo.


Na Casa VM, a racionalidade não é negada, mas subvertida. A lógica cartesiana é levada ao limite até produzir algo que não se reduz à soma de suas partes. Da interferência entre padrões emerge um efeito próximo ao moiré — uma condição espacial que é constelação, floresta e galáxia ao mesmo tempo. Inserida no ecossistema do Villa Stradale, a Casa VM sintetiza uma investigação central da AO: como ultrapassar a racionalidade puramente operacional para construir arquiteturas capazes de produzir sentido, fenômeno e experiência a partir da própria lógica que as estrutura.


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