Arquitetura de interiores na ARCHITECTS OFFICE
- ARCHITECTS OFFICE

- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de out. de 2025
O tempo, a memória e a vivência cotidiana são matérias vivas nos projetos de interiores da AO
Interior design, atmosfera, narrativa, materialidade, memória, tempo, contexto, investigação, vivência, arquitetura de interiores, conceito
Na AO, os projetos transitam entre escalas – do urbanismo e arquitetura ao gesto do habitar. Não há fronteira rígida entre disciplinas: a arquitetura estrutura volumes coletivos, enquanto os interiores prolongam esse pensamento na dimensão da vida cotidiana.
Para Greg Bousquet, fundador da AO, interiores não são complementos, mas continuidade. Se a cidade se desenha pela arquitetura, é no interior que se desenha a experiência humana. Nesta entrevista, ele reflete sobre a prática, defendendo o conceito de investigação como raiz criativa, a autenticidade dos materiais como ética e o tempo como matéria de projeto. Um olhar que transforma cada espaço em narrativa viva.

1. O que significa dar forma à vivência do habitar?
Significa reconhecer que, se o edifício é estrutura, os interiores são respiração. O interior é onde a escala da vida acontece. Projetar interiores é dar corpo àquilo que não se vê – atmosferas, silêncios, emoções. É transformar espaço em sensações.
2. A palavra “conceito” aparece como eixo central no trabalho da AO. De que forma um conceito nasce e se sustenta ao longo de um projeto de interiores?
Um conceito nasce sempre do contexto: o lugar, a cultura, o cliente e a função. Ele não surge como inspiração súbita, mas como síntese de observação e análise. Depois se desdobra em narrativa, que dá alma, em materialidade, que dá corpo, em espacialidade, que organiza percursos, até culminar na atmosfera – essa camada invisível que amarra tudo. Quando o conceito é claro, ele sustenta o projeto inteiro, como uma raiz que alimenta cada decisão.
"Projetar interiores é dar corpo àquilo que não se vê – atmosferas, silêncios, emoções."
Greg Bousquet
3. O que significa criar atmosferas?
Atmosfera é criação, estilo é repetição. O estilo pode ser copiado, a atmosfera só existe naquele espaço, para aquelas pessoas, naquele tempo. Uma atmosfera não se descreve em catálogo: ela se sente na pele, na luz que se move, no cheiro da madeira, na densidade do silêncio. Enquanto o estilo é superfície, a atmosfera é a essência que fica na memória.
4. A AO é reconhecida pela busca de uma arquitetura ética. Como isso se traduz nos interiores?
Nos interiores, autenticidade significa respeitar cada material em sua verdade: a pedra com seu peso, o linho com sua leveza, o metal com sua frieza. Não usamos materiais para simular outros, nem para compor cenários. Usamos para revelar. Essa ética material cria espaços que envelhecem bem, que não precisam se disfarçar. Interiores assim não apenas decoram, mas sustentam a vida cotidiana com honestidade e permanência.


5. Interiores da AO não parecem falar apenas do presente, mas também de memória e de futuro. Como o tempo entra como matéria de projeto?
O tempo está sempre presente. Trabalhamos com o desejo de criar espaços que carreguem memória sem se prender ao passado, e que projetem o futuro sem se tornarem efêmeros. Isso significa desenhar interiores capazes de acolher transformações, de se deixar habitar e marcar. Quando pensamos no tempo como matéria, o interior deixa de ser fotografia estática e se torna narrativa viva.













